Bolsonarismo
20 horas de cárcere, 15 armados e um fuzil: como Bolsonaro soube o nome dele
Invasão em Alvorada do Oeste em 2018 virou notícia nacional e abriu o primeiro contato entre Bruno Scheid e Jair Bolsonaro.

Quinze homens armados. Um deles com fuzil. Quase 20 horas de cárcere privado. Foi assim que o nome de Bruno Scheid chegou até Jair Bolsonaro.
O pré-candidato ao Senado por Rondônia (PL, 222) conta que o começo dessa história não tem nada de glamouroso. "O que me leva até o presidente Bolsonaro é um fato ruim na minha vida, infelizmente", afirmou.
A data ele não esquece. "8 de agosto de 2018 eu sofri um cárcere privado praticado pela Liga dos Camponeses Pobres", disse, situando o caso no município de Alvorada do Oeste.
"Me surpreendo na chegada com 15 criminosos armados, um deles portando um fuzil", relatou. E resumiu o que viveu naquelas horas: "Um cárcere de tortura, um cárcere de humilhação."
O desfecho veio pela farda. "Graças à honrosa polícia militar, no dia seguinte houve a reintegração", contou Scheid. A propriedade foi devolvida pelo Estado no dia seguinte.
O caso correu o Brasil. Segundo o pré-candidato, virou notícia em G1 e R7. Foi então que um ex-assessor procurou o produtor rondoniense: "Eduardo me liga e fala, olha, o candidato a presidente Jair Bolsonaro quer falar com você para saber se pode noticiar mais esse tema que aconteceu contigo."
Scheid mandou as imagens por e-mail e o então candidato usou o episódio em atos de campanha. "Pô, lá em Rondônia, esse cara aqui, quase mataram esse cara. É isso que eu defendo. Que não aconteça mais."
"E aí ali nasceu o primeiro contato com o presidente Bolsonaro", disse. Era 2018.
O que permitiu aquele ataque não foi acaso. Foi a leniência de uma esquerda que passou décadas chamando de movimento social o que a lei chama de esbulho, e de uma União que nunca cumpriu o próprio dever de fazer reforma agrária como manda a lei, empurrando o conflito para cima do produtor.
Sem segurança jurídica na porteira, ninguém investe. E sem investimento, Rondônia continua vendendo o que planta do jeito mais barato possível.
O estado gera 32% da energia do Norte e passa de 7.000 MW só no Complexo do Madeira, mas a indústria de transformação está em torno de 6% do PIB. Energia sobrando, fábrica faltando.
Cada boi que sai vivo, cada tora que sai bruta, cada litro que sai cru, é um emprego rondoniense que nasce em outro estado.
Quem já foi mantido refém na própria terra sabe exatamente o que defende no Senado: propriedade respeitada, lei cumprida e trabalho gerando emprego aqui dentro.


