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Agro

22 mil bezerros e R$ 78 milhões. Algum político agradeceu o produtor?

Scheid cobra reconhecimento a quem sustenta o Hospital do Amor em Rondônia e alerta: doação cai quando político quer ser dono do mérito alheio.

Cavalgada festiva com cavaleiros enfileirados — a base que doa

Vinte e duas mil cabeças de bezerro. Setenta e oito milhões de reais. Doados por produtor rural de Rondônia em um único ano.

Os números são de Bruno Scheid, pré-candidato ao Senado por Rondônia pelo PL, o 222, e ele os apresentou em forma de pergunta, olhando para quem estava na sua frente.

"O senhor sabia que só no ano passado a pecuária de Rondônia, o pequeno produtor rural, médio e grande, doou 22 mil cabeças de bezerro para a Leiluar e para que esse recurso fosse para o Hospital do Amor?", questionou.

E completou, segundo as contas do pré-candidato: "Sabe quanto de recurso arrecadado só no ano passado em doação de produtor rural? 78 milhões de reais."

Setenta e oito milhões que não saíram de emenda, nem de programa, nem de discurso. Saíram do curral.

Saíram do pequeno que tirou um bezerro do lote quando às vezes não podia tirar. Saíram do médio e do grande que carregaram o caminhão sem pedir nada em troca. Saíram de gente que trata tratamento de câncer como causa própria.

Aí veio a pergunta que incomodou a plateia inteira: "O senhor viu algum político parabenizando o produtor rural pelo que ele faz todos os anos?"

A resposta dele foi de uma palavra. "Não."

E a consequência disso já aparece na conta. Scheid alerta que a doação vem diminuindo, e não por falta de coração do produtor. "E o que eu tenho visto? Menos produtores doando porque o político quer ser o dono do mérito e esquece aquele que todo ano entra num caminhãozinho."

Está tudo dito. A velha política aparece na foto da entrega, corta a fita, empresta o nome à campanha e some quando é hora de apontar quem pagou a conta. Quem entrou com o bezerro fica de fora do palanque, do agradecimento e do reconhecimento.

Ninguém aguenta ser tratado como caixa eletrônico para sempre.

E há um problema maior por trás disso, que a atual gestão estadual prefere não discutir. Por que a saúde de Rondônia depende tanto da generosidade de quem cria gado? Porque a economia do estado arrecada pouco perto do que produz.

Rondônia gera mais de 7.000 MW só no Complexo do Madeira e responde por 32% da energia da Região Norte, mas mantém a indústria de transformação em cerca de 6% do PIB estadual. O boi sai vivo, o valor fica em outro estado, o imposto também.

Sem fábrica não há emprego. Sem emprego não há arrecadação. Sem arrecadação, hospital vira obra de caridade do produtor.

O produtor rondoniense já faz a parte dele. Falta um representante que diga isso em voz alta, e que industrialize o estado para que a saúde deixe de depender de bezerro doado.

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