← Todas as notícias

Economia e Industrialização

80 milhões de negativados: e o produtor que quebrou, quem conta?

Scheid puxa o assunto que a política evita: o endividamento que está sufocando quem levanta cedo para produzir.

Conversa próxima com dois produtores em galpão — escuta sóbria

Tem uma conta que campanha nenhuma gosta de mostrar: a do produtor que quebrou.

Bruno Scheid mostrou. E fez em voz alta a pergunta que o setor costuma fazer baixinho: "Sabe quantos bons produtores rurais se matam no Brasil de hoje?"

Não é frase de efeito. É a ponta mais dura de um processo que começa no juro, passa pela dívida rolada e termina dentro de casa. Gente que abriu região, que financiou máquina, que apostou na safra, que empregou vizinho. E que, num ano ruim, ficou sem saída e sem ninguém para escutar.

O pré-candidato ao Senado por Rondônia não tratou o tema como espetáculo. Tratou como diagnóstico. E emendou o dado: "Estamos com 80 milhões negativados no Brasil." Para Scheid, é "um dos maiores números negativados da história do Brasil".

Oitenta milhões de nomes sujos, nas contas do pré-candidato. Oitenta milhões de brasileiros que não pegam crédito, não trocam o trator, não ampliam o barracão, não contratam o funcionário.

Cada um desses nomes é um negócio que parou de crescer.

E quem empurrou o país até aqui não foi o produtor. Foi o Governo Federal, que cobra caro, atrasa licença, arbitra preço com importação subsidiada e trata quem produz como suspeito. Foi a gestão estadual, que assiste ao pequeno afundar sem programa sério de assistência dentro da porteira. E foi a esquerda, que aprendeu a chamar dívida de "problema individual" quando o endividado é quem trabalha.

O produtor rural não pediu esmola. Pediu regra que caiba no bolso e mercado que pague o que ele entrega.

E é aqui que a conversa vira industrialização.

Rondônia vende cru e compra pronto. O leite sai do resfriador e volta em pacote, mais caro. O boi sai vivo. A tora sai bruta. O grão sai a granel. Toda a margem que resolveria a dívida do produtor é embolsada em outro estado.

Enquanto isso, a indústria de transformação responde por cerca de 6% do PIB estadual (IBGE) e a capacidade instalada de processamento de leite opera com 62,5% ociosa: são 4 milhões de litros por dia de capacidade para 1,5 milhão processado. A fábrica existe. Está parada.

Fábrica funcionando é preço melhor na porteira, contrato de longo prazo e emprego para o filho do produtor não precisar sair de Rondônia.

Onde tem indústria, tem emprego. Onde tem emprego, tem futuro. E onde tem futuro, ninguém precisa carregar sozinho o peso de uma dívida.

Quero participar →

Leia também